sexta-feira, 11 de março de 2011

Revelação: Soberania de Deus X Impotência humana





“Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito, e por toda aquela região se espalhou a sua fama.Ensinava nas sinagogas, e todos o elogiavam.Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume. E levantou-se para ler.Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito:"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidose proclamar o ano da graça do Senhor".Então ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nele;e ele começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir".Todos falavam bem dele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios. Mas perguntavam: "Não é este o filho de José? "Jesus lhes disse: "É claro que vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo! ’ Faze aqui em tua terra o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum".Continuou ele: "Digo-lhes a verdade: Nenhum profeta é aceito em sua terra.Asseguro-lhes que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu foi fechado por três anos e meio, e houve uma grande fome em toda a terra.Contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, senão a uma viúva de Sarepta, na região de Sidom.Também havia muitos leprosos em Israel no tempo de Eliseu, o profeta; todavia, nenhum deles foi purificado: somente Naamã, o sírio".Todos os que estavam na sinagoga ficaram furiosos quando ouviram isso.Levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até ao topo da colina sobre a qual fora construída a cidade, a fim de atirá-lo precipício abaixo.Mas Jesus passou por entre eles e retirou-se.”
(Lc 4:14-30)

O Apóstolo Paulo citando Moisés (Ex 33:19), e explanando sobre a predestinação na revelação divina aos homens, em Rm 9:14-16, faz a seguinte declaração:
“E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão” Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.”
Isso nos traz uma melhor compreensão das palavras de Jesus no contexto analisado e o porquê de sua brusca rejeição por parte dos seus ouvintes e concidadãos de Nazaré.
Jesus, no poder do Espírito, realizava milagres e prodígios enquanto pregava as Boas Novas de salvação. Ao chegar à Galiléia, sua fama se espalhou naquela região de forma que todos o elogiavam nas sinagogas por onde passava ensinando sua doutrina.
Era sábado, dia do Senhor, e Jesus vai mais uma vez a uma sinagoga ensinar, mas agora, se tratava de uma sinagoga localizada em Nazaré (terra onde havia sido criado), cujo público ouvinte era formado por contemporâneos seus. Isso para Jesus não significava nenhum empecilho, partindo do entendimento de que sua mensagem sempre foi direcionada a pecadores, e desta forma seus conhecidos não lhe representavam uma classe especial.
Foi-lhe entregue o livro do profeta messiânico Isaías no qual Ele escolheu uma passagem que para nós corresponde ao capítulo 61, versículos 1 e 2, que após ter lido, fechou o livro e o devolveu ao assistente, assentando-se em seguida. A essa altura do relato de Lucas, é oportuno fazer um parêntese para imaginarmos a cena, com a respectiva expectativa desenhada no rosto de cada um assentado na sinagoga naquele momento, com os olhos fitos em Jesus diante do que gostariam de ouvir em contraposição ao que ouviram de Jesus quando enfaticamente declarou:
“Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir.”
Os ouvintes só entenderam o que falara quando Ele resolveu explicar, e essa explanação contrastava em todos os sentidos com o que eles esperavam do então famoso Jesus.
Jesus disse que Isaías profetizara (há aproximadamente mil anos) sobre Ele, o messias prometido, que ali se encontrava fisicamente diante deles. Mas havia um problema: Jesus acaba de declarar com isso que eles não tinham olhos para enxergar e nem ouvidos para ouvir quem Ele era porque não lhe fora concedido pelo Pai, por isso o viam somente como o filho do carpinteiro que cresceu entre eles e que ainda sua parentela convivia ali com eles. È interessante o fato de nos depararmos com situação um pouco semelhante quando alguns crentes alimentam expectativas a respeito de um pregador seja por sua fama ou pelo que aparenta ser, se esquecendo que somos falhos e por isso devemos julgar com humildade, tolerância e misericórdia (até certo ponto), o conteúdo da mensagem e não o pregador, pois é também possível que este tenha uma medida maior de conhecimento, a qual os ouvintes não tiveram percepção por estarem em um nível de entendimento abaixo do que foi apresentado a eles.
Jesus continuou citando e fazendo um paralelo entre o encontro da viúva de Sarepta e o profeta Elias (1 Rs 17:7-24), e o do leproso Naamã com o profeta Eliseu (2 Rs 5:1-19), dando o entendimento para os que estavam no templo o ouvindo, de que Deus em Sua revelação redentora e no transcurso da história da humanidade é soberano para fazer como lhe apraz, e por isso, os desproveu de entendimento para que vendo, não enxergassem de fato, ouvindo, não escutassem conforme deveriam e não percebessem o verbo de Deus encarnado diante deles. Isso fez com que reagissem daquela forma com o intuito de matar o “blasfemo” e “herege” Jesus de Nazaré.

“Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu.Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.”
(Jo 1:10-14)

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