sábado, 5 de junho de 2010

O Deus cristão e o maniqueísmo


Refutando o maniqueísmo

Maniqueísmo (em termos gerais), é uma filosofia religiosa sincrética e dualística que divide o mundo entre Bem (ou Deus), e Mal (ou o diabo). A matéria (corpo) é, em si mesma, essencialmente má, e o espírito, em si mesmo, essencialmente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.
Nos nossos dias, é ainda forte entre os cristãos, a corrente maniqueísta de pensamento com relação ao mundo em que vivemos, tornando completamente relevante a afirmação que Calvino faz quanto ao imediato cenário produzido por esses cristãos (neófitos) de uma suposta “luta” entre Deus e o diabo:
“Os maniqueístas presumem o diabo como sendo uma deidade antagônica, a quem o Deus justo não subjugaria sem imensurável esforço”
A luz de todas essas coisas, se faz necessário citarmos Lutero em sua famosa frase ressaltando a soberania de Deus sobre todas as coisas (tudo e todos) :
“ O diabo é o diabo de Deus”
Devemos ter em mente um governo eterno e permanente do Deus soberano, no sentido de que o divino decreto eterno é mantido também pela divina providência permanentemente. Assim sendo, a realidade dos fatos é que não há um considerável inimigo páreo para Deus, o que torna inevitável o fato Dele não lutar contra nada e ninguém, pois tudo esteve, está, e sempre estará sob o Seu absoluto controle eterno.
Na carta de Paulo aos efésios, no capítulo 6, a partir do versículo 10, encontramos uma suposta abertura para o embasamento das afirmações maniqueístas.Trataremos então de refutá-las permitindo que a Bíblia por si mesma seja devidamente interpretada, a fim de esclarecermos as dúvidas de muitos irmãos em Cristo, ainda vacilantes quanto à convicções doutrinárias. Faremos então uma exposição dos versículos de 10 a 13 utilizando a versão da Bíblia Revista e Atualizada:
Vs. 10: “Quanto ao mais...”
Paulo tem a intenção de resumir tudo que foi tratado naquela carta dirigida à igreja, endossando, ratificando e aplicando todo o conteúdo doutrinário que expôs.
“..., sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.”
Entendendo que é o Senhor que nos fortalece, devemos nos entregar em completa confiança a Ele, e nos empenhar nisso, para que no momento mal, reconheçamos que em nós não há forças (pois somos frágeis e incapazes de produzir a força necessária para suportarmos), e assim, entendermos a quem devemos recorrer.
Vs.11: “... de toda a armadura de Deus...”
Essa exortação tem a intenção de trazer o entendimento, através da ilustração de um soldado romano se preparando para o combate, de que assim como nós, ele só estará devidamente pronto para o enfrentamento quando de fato estiver de posse de toda a armadura, e não apenas de alguns utensílios, pois certamente não teria êxito se colocasse o capacete e embraçasse o escudo, e desprezasse a espada ou a couraça, como de somenos importância.
Vs.12: “... a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra ...”
A nossa luta não está no campo das coisas visíveis, e assim sendo, não é contra os homens. A nossa luta é espiritual, contra um sistema, um ambiente maligno, que nos cerca e a todo momento nos induz à prática das infrutíferas obras da carne (Gl.5:19-21).Portanto, torna-se inútil nos voltarmos contra uma figura que personifique o mal (diabo, satanás,demônio, etc), mas devemos nos empenhar e nos opôr contra um sistema de coisas que ainda seguem influenciadas pelo caráter pecaminoso do mal.
Vs. 13 “Portanto, tomai toda a armadura de Deus...”
O apóstolo retorna à exortação do versículo 11, dando ênfase à importância de nos auto-avaliarmos quanto às convicções cristãs e ao verdadeiro efeito do Evangelho em nós, que somente repousa sobre nós através da persuasão do Espírito Santo, que tem o papel de conduzir o crente ao verdadeiro conhecimento do Deus Pai.
Do versículo 14 em diante, Paulo se preocupa em apresentar a aplicação da chamada “armadura de Deus”, no cotidiano de cada crente, mostrando com a grandiosidade do sistema maligno que nos cerca, a incomparável superioridade das “armas” que Deus disponibiliza a habilita cada crente a usar, enfocando com isso a eterna providência divina na vida dos eleitos.
Durante um período antes da encarnação de Cristo, o diabo, pela vontade de Deus tinha um poder de influência bastante avantajado, tendo sido massivamete reduzido com o início do ministério terreno de Cristo, e a consequente chegada do Reino de Deus entre os homens, aprisionando o diabo (Mt. 28-29), e limitando-o ainda mais em sua influência ao sistema, que agora caminha “manchado” em meio ao avanço da Igreja triunfante de Cristo.

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